Criolo, Amaro Freitas e Dino D’Santiago lançam álbum que conecta ancestralidade e afeto

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Rapper, pianista e artista português unem trajetórias em disco que mistura rap, jazz e música africana, com mensagens diretas e reflexão sobre identidade e pertencimento

O encontro entre Criolo, o pianista pernambucano Amaro Freitas e o músico português Dino D’Santiago resultou em um álbum que respira ancestralidade e afeto. Gravado em São Paulo, Recife e Lisboa, o disco traz 11 faixas inéditas. Além disso, chega às plataformas digitais como uma obra que foge de fórmulas prontas e do ritmo imposto pelos algoritmos.

O projeto começou em 2023, quando Criolo se encontrou com Dino em Lisboa. A ideia inicial era gravar um disco de samba, porém, numa noite insone, tudo mudou. Criolo criou um beat que inspirou Dino a escrever versos. Assim nasceu o single Esperança, que depois foi indicado ao Grammy Latino. Além disso, os três perceberam que a presença de Amaro Freitas era essencial, pois seu piano adicionaria ritmo, emoção e improviso à obra.

Enquanto Dino colocava a voz, Criolo percebeu a necessidade de incluir Amaro no processo. “Senti que precisávamos da energia e da vivência dele”, relembra o rapper. Ele já havia trabalhado com Amaro no EP Existe Amor (2020), gravado com Milton Nascimento.

Improviso, afeto e musicalidade

Amaro destaca a improvisação de Criolo e sua habilidade de transmitir emoção:

“Ele me mostrou outra forma de trabalhar com as palavras. Conecta arte e experiência de vida. Tudo que ele canta tem um conteúdo emocional muito profundo”.

Sobre Dino, Amaro ressalta sua capacidade de unir música, literatura e ativismo. Ele canta em crioulo, português, francês e inglês com naturalidade e técnica impecável. Além disso, o disco evidencia o tambor africano, presente no rap, trap, funk e no jazz de Amaro. O pianista considera seu instrumento “muito percussivo”. Para Criolo, Milton Nascimento representa a síntese das influências que atravessam o trabalho dos três.

Letras que questionam a sociedade

As músicas do álbum não evitam críticas sociais. Em Livros, Criolo questiona o sistema educacional e a cobrança por respostas perfeitas dos jovens. Em Você Não Me Quis, os artistas abordam preconceito social e exclusão econômica, refletindo suas trajetórias periféricas.

Além disso, Mama Afrika, cantada por Dino, celebra encontros culturais e reforça a necessidade de se conectar com suas próprias raízes antes de buscar outras. Já Amazônia critica a desigualdade na atenção dada a desastres internacionais e nacionais. Assim, o álbum mostra que misturar estilos também pode servir para transmitir mensagens fortes.

Criolo também comenta sobre o sentido do álbum:

“Visitar outro continente não pode ser fetiche, tem que ser necessidade de alma. Antes disso, é preciso estar bem no próprio território.” Essa frase reforça a ideia central do disco, que valoriza raízes, ancestralidade e troca sincera entre artistas.

Um projeto de afeto e liberdade

Mais do que um disco colaborativo, Criolo, Amaro & Dino é um exercício de escuta, troca e afeto. Os três artistas compartilham histórias, raízes e respeito mútuo. O resultado é um trabalho que desafia padrões de mercado, valoriza improviso, faixas com durações livres e uma narrativa que exige atenção e reflexão do ouvinte.

A capa, assinada pelo grafiteiro Vik Muniz, reforça o caráter artesanal e raro do projeto. Portanto, o álbum se estabelece como uma obra que conecta rap, jazz, música africana e canção brasileira, celebrando ancestralidade, crítica social e liberdade artística.

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